sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Pra mim não dá

Enquanto bebia seu café amargo demais - nunca fora boa nessas coisas essenciais - veio na cabeça aquela imagem, aquela menina... aquela menina que era perfeita, que a amava, mas... mas nada...
Não sabia se era a fumaça quente que exalava forte nos olhos, ou se eram as lágrimas, lutando contra a saudade.
-Sinto sua falta - era verdade - mas eu o amo bem mais... mesmo que não nos declaremos um para o outro, nos olhamos de manhã e sabemos que é amor. Você vai me falar que meu amor vai acabar e eu vou correr pra você, mas você não nos conhece juntos... mesmo que ele se vá, não acabará, mesmo que ele me deixe, não acabará, mesmo que ele suma, não ouça mais seu nome, sua voz, não veja mais sua presença... parte dele ainda vai ser bombeado no meu coração, seu nome ainda ecoará na minha cabeça, quando chamarem o meu... - nossos nomes combinam, é como chamar "Claudinho" e não seguir com "Bochecha"- eu sinto muito, Menina, mas ele é mais importante.
Mas não dizia essas palavras a ninguém, eram só pensamentos secretos de uma solitária orgulhosa.

--x
Ando não conseguindo escrever o que quero
Ando meio fora de controle
Fora do meu controle.
No seu...
Não gosto.

domingo, 21 de outubro de 2012

Passo as tarde lembrando

Obriguei-me a não pensar, a contar sílabas para não sentir.
Me vi caminhando sozinha, meio perdida, meio achada.
Pus vidros nos olhos para poder melhor te enxergar.
Vejo as frases, soltas, avulsas, apenas por falar.

Penso seus pensamentos, seus atos. Falo as suas frases, os seus dingos.
Vejo seus olhos: ou tristes, ou felizes, não os entendo, não os conheço... onde te perdi?
Lembro, nervosa, saí. Como voltar? Como pude? Como deixei?
Penso, aflita: "Não, não foi pra ela, não por ela, não, não, não". Mudo de assunto.

Pensei, pensei, pensei, pensei, pensei, pensei, pensei...
Não consegui, apaguei.
Apenas saiu: Te amo.
Então, me desencarnei e "virei nós"
-x
Como disse, não consegui, apenas saiu "Te amo", mesmo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Não Caroline, não Carolina, Carol!

Surgiu!
A boca virou um farol
"Ah, o riso infantil...
Vai se chamar Carol!"

Cresceu,
As pernas viraram asas.
Correu para o breu
e seu chão virou brasa.

Sorriu,
Pensei que era a cura,
O riso juvenil,
Mas tava nas escuras.

Pedi,
Achei que não me ouvia,
Para ver sorrir,
Percebi a correria.

Ouvi:
"Mamãe, pare de chorar,
Compro um suvenir,
Destes pro nosso lar!"

Vivi,
Não sabia que podia
Comprar alegria
Junto a um suvenir .

--x
Ei, relevem, é a primeira vez que tento rimar e contar sílabas...

domingo, 26 de agosto de 2012

Confuso

- A melancolia de uma meia vela iluminando um quarto vermelho... - sentia, vivenciava.
- A humilhação de ser descoberta aos prantos, apenas por doer o presente, mas ninguém entendia o motivo- "o que mais? O que mais?"
- Ela se foi...- parecia tão indiferente, mas com os olhos tão tristes.
- Morreu? - sei lá, estava tão surpresa que não consegui ser acolhedora.
- Não... me deixou - pude perceber que respirei aliviada e como isso o irritou.
- Ah... desculpa, eu... - respirei, pisquei, respirei.
- Sei, não precisa dizer nada - ele precisava que eu dissesse... - só não me diga para conhecer outra, colocar dentro de casa, ou pegar todo mundo, beber, ir para festas... que ela não me merece...
- Só a ame até esquecer! - Me beijou

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Me veja!

"Quando todo sal é retirado do mar, eu permaneço destronado, eu estou nu e sangro, e quando você aponta-me seu dedo tão selvagemente há alguém para acreditar em mim? Para ouvir o meu apelo e cuidar de mim? Como posso continuar a partir de hoje? Quem pode me fortalecer em todos os caminhos? Onde posso estar seguro? Onde posso permanecer? Neste imenso mundo de tristeza, como posso esquecer aqueles lindos sonhos que compartilhamos? Eles estão perdidos e não há como encontrá-los. Como posso ir em frente?
Algumas vezes eu tremo na escuridão, eu não consigo ver. Quando as pessoas me assustam, eu tento esconder-me bem longe da multidão e não há ninguém lá para me confortar. Senhor, ouve meu apelo e cuida de mim"
Quando uma música faz com que você se entenda, te faz pensar que os outros podem entender também. Mas é diferente, os músicos eram mais sensíveis:
- Eu sou puta, esquecida pelo mundo!
- Eu sou transexual, esquecida por Deus!
- Eu sou travesti, esquecida pela sociedade!
- Eu sou político honesto, esquecido pelos eleitores!
- Eu sou ladrão, não sou humano, me matar não é pecado!
- Eu fumo maconha, um vício igual ao álcool e eu sou preso!
- Eu sou mendigo, minha simples existência incomoda a todo o resto!
- Eu sou escravo, as pessoas nem se quer sabem que eu ainda existo aqui!
- Eu sou ateu, nem me conhecem e sou perverso, malvado, assassino de crianças!
- Eu sou evangélica, nem me conhecem e eu sou burra, alienada, descontrolada, insana!

- Não estamos certos, ou errados. Só queremos que nos ouçam, nós não vamos te infectar! Somos homens, somos seus pais, seus filhos, irmãos, parentes... estamos na sua família, casa, escola. Na sua TV.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

035- Respiração

Bem agora, as quase 3h da madrugada você me aparece. Lindo, loiro, sorrindo. Fazer o que? Você me inspira.

- Que diabos faz aqui? - não pude deixar de reclamar - que horas são?
- Não sei, apenas vim... que diferença faz o momento? Estava com saudade! - chegou assim, me abraçando pela cintura e não resisti, envolvi meus braços em seu pescoço e beijei tua face.
- Que bom que veio... – Mas é isso, o que eu poderia dizer? Eu estava feliz por ter vindo e ainda mais feliz por ser surpresa. Claro que eu gostaria de ter arrumado discretamente o cabelo e talvez eu até escovaria os dentes, mas eu trocaria tudo isso por poder abrir os olhos e dar de cara com você, assim, de supetão. Foi como os sonhos de todas as noites.
- Só isso que eu ganho? Saí de casa de madrugada, como prova do meu amor, apenas para te ver, e eu ganho um "que bom que veio"? - eu estava tão feliz, tão feliz, tão cansada. Eu com certeza, um dia, conseguiria expressar o quanto estava feliz.
- Para de me abusar... - não sei se aquilo era um teatrinho, ou eu estava mesmo tão cansada a ponto de ser dengosa daquele jeito. Ele sorriu.
- Não... - respondeu zombando do meu dengo. Encostou os lábios na minha boca e pressionou. Sem língua, sem movimentos de mãos, pernas, braços, jogos de corpos, cabeças, olhos, narizes, orelhas... sem mais nenhum movimento, apenas a sua boca na minha e foi tudo como no céu. Apenas boca na boca, sem jogos.
Dormi.

sábado, 19 de maio de 2012

034- Eu me declarando para você.

São quase 11 meses de namoro e tudo muda de novo. Eu sou a menina que passou a vida toda escrevendo cartas sofridas, poesias românticas, mas no momento de falar de um amor correspondido e bem vivido, perco as palavras e começo escrever bobagens e apagar todo o tempo e nada se passa de um eterno rascunho.
As coisas estão se resolvendo e me parece que alguém vai embora, não um alguém qualquer, mas você, o garoto que forma o nosso "eu" e isso pode parecer sem sentindo para qualquer outra pessoa, mas parece que eu sou uma, você é outro e nós dois juntos somos um "eu" diferente de todos os que conheço e isso é tão gostoso. 
Pois é, eu fiquei de escrever para o dia dos namorados, mas eu preciso de dizer tudo isso, apesar de dizer o tempo todo, eu preciso mesmo te escrever o quanto os LONGOS 11 meses desse namoro foram surpreendentes, brilhantes e, aviadando um pouco, foram deliciosos! Mas é claro que os outros que nos conhecem vão falar: "vocês vivem brigando!" É verdade! Brigamos muito, quase todo o tempo e brigas bobas, por machismo, ou brigas sérias, que levam a um quase rompimento... então abrimos mão de todo o resto para que as coisas fiquem bem e que nosso noivado continue assim, próspero!
 "Nosso noivado vai acabar daqui a um ano e meio, vamos nos casar!"
Eu te amo e se não for para sempre, vai ser para nunca mais.