domingo, 1 de maio de 2016

Trabalho: Me conte um conto de amor

A ideia inicial surge no componente "Ateliê de arte e memória" ministrado pelos professores Fábio Nieto e Martin. Ofereceram uma proposta de projeto que tornássemos objeto artístico, uma memória.

Ideia inicial:
Fazer um mural de fotografias com uma câmera polaroid, tornando um projeto constante da turma, para podermos fazer um mural com todos os estudantes de ateliê que passassem pela universidade. Porém a ideia foi descartada por razão financeira e dificuldade de encontrar o filme da câmera.

Ideia 2:
Fazer um varal com os acontecimentos da minha vida, que foi registrado em diários desde a infância.

Depois de conversar com os professores em sala de aula, pude aprofundar e perceber que não conseguiria passar o sentimento que eu gostaria com este tanto de documento que eu tenho produzido.

Ideia 3 (final):
Montar uma barraca aconchegante e convidar os alunos, professores e funcionários para poder falar de amor. Uma pessoa entra por vez na cabana, dependendo do desenrolar da conversa, pergunto para o convidado se ele se sente a vontade para contar para mim a sua história, desta vez.

A minha intenção é mobilizar, acolher, compreender e registrar histórias de amor. Minha especialidade.
Falar de amor, é se tornar disponível a sensibilidade mais delicada do amar. Compreender, aconchegar, aconselhar, acompanhar e desabafar, conversar sobre amor é compreender o outro e se tornar semelhante.
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Teste do ambiente para a apresentação do projeto na Segunda - Feira (02/05/2016)

domingo, 27 de março de 2016

cap.2- Talvez seja nessa vida

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As semanas e os meses não significavam nada. Eu era para ela o que depois disso já fui para outras pessoas: O abraço, o beijo, o carinho de sua carência.

Por favor, não façam mais isso comigo.
Satine "namorava" um rapaz maravilhoso sueco. Eles se conheceram e apaixonaram no intercâmbio que fizeram para o fim do mundo. Quando a conheci ela já tinha voltado e o amava como só se dá para amar um louro, alto, bonito, rico, inteligente e várias outras coisas boas e bonitas.
Ele era tudo que ela e qualquer outra garota maravilhosa já havia sonhado.
Em cima de um cavalo branco, ou malhado, ele a salvou de seus medos, a trouxe para a paz e a transformou em alguém melhor e mais feliz do que era antes da viagem.

E eu.
Que nem rapaz era, nem sou.
Não era nada.
Nem sou.

Continuo aquela garota que grita muito para chamar sua atenção, mas seus olhos não estão mais desviados para mim. Eu sou ainda aquela garota que sonha tantas noites seguidas com apenas a sua existência, do outro lado da rua, que nem conto mais em confidência para as minhas amigas.
Eu sou aquela garota que eu era, tola e frágil querendo te cuidar, como se eu soubesse cuidar de mim mesma.

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Hoje eu sou o oposto do que eu era antes só para não sentir mais o que eu sentia antes, só para não chorar mais o que eu chorava antes, mas mesmo assim eu choro. As vezes,


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O sueco, que deve ser o conde em Moulin Rouge, a amava e pensavam em filhos com nomes que fossem tanto suecos como brasileiros, planejavam futuros, se organizavam para se reencontrar, mas a regra era: isso não é um namoro. Mas era.
Eu a tinha, todos os dias, todas as horas, eu estava lá e me fiz de tão próxima, namorada. Mas sem beijar e sem ser amada.
E a única regra era: não é um namoro. Mas era.
E Ela me amava, e tenho isso como certeza em minha vida.

Me amava com o amor que eu via em teus olhos, me amava com todo o amor que cabia em seu corpo.
Eu tinha como toda a certeza do mundo que um dia ia acontecer. A gente.
Me lembro que até adotei uma música ruim e a ouvia pensando em como é duro amar:

"Talvez não seja nessa vida ainda, mas você ainda vai ser a minha vida"

Eu fechava os meus olhos e todos os dias exatamente 00:00 eu repetia o meu mantra "por favor, faça que ela me ame, faça que ela me ame"

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Eu não acredito em deus, mas se ele existir, ele gosta de sapatão sim.

cap.1- Moulin Rouge



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Meu grande amor veio como os grandes amores surgem. Rápidos, nos cantos dos olhos, de longe em um show. Mas ficam como se algo os prendessem ali.
Eu não sabia se eu escreveria primeiro como eu era antes ou se eu conto como eu sou agora graças a ela.
Decidi então, começar com Moulin Rouge, o filme de 2001.

(Se você ainda não assistiu, pause a leitura até aqui, assista o filme e continue a ler).

"A coisa mais importante que você aprenderá é simplesmente amar
E ser amado"
Eu sou Christian e ela era Satine.

Não se decepcione, meu amigo, ao descobrir que essa história de amor, de amor não é. E eu, como Christian, não o sou. A sou.


Escritora, sozinha, vazia em busca do amor.
E ela, Satine, como só Nicole Kidman representaria tão bem. Perigosa, Obscena e má.

Seu olhos brilhavam e seu cheiro piscava cor de rosa, em uma nuvem que me atraia. Não vou vos encher de histórias que já me cansei de contar sobre o que meu coração fez quando a vi, ou os meus olhos que a seguiram e como o seu rebolado ria da hipnose com os meus olhos. Eu tenho medo de ser piegas.

Não vou contar como ela era tão boa, de começo, ou como se tornou má antes de sua morte. Eu vou vos contar como foi ser o Christian da minha Satine.


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"Quer dizer que você me achou linda?" Foi a primeira vez que me direcionou a palavra e sem medo do ridículo, sacudi minhas pernas, abafei o grito na almofada, quase chorei de tanto rir, ri alto e gritei:
-LÉSBICA! EU SABIA, EU NUNCA ERRO UM SAPATÃO - talvez eu não seja tão poético quando o verdadeiro Christian
Peguei de volta o celular, que essa altura já tinha voado para longe dos meus dedos
"Assim você me mata de vergonha" um comentário com a amiga certa, quase que por querer mandei o recado "acho Satine linda, super pegaria"
"Então não vou nem dizer da parte que super me pegaria".
Essa foi a primeira e a única conversa que me lembro com exatidão entre nós duas.

Estive errada. Hetero. Gostaria de anexar aqui uma grande foto que lhes mostrasse como ela era tão clara e obviamente lésbica. Por favor, não me entendam mal e nem me julguem de esteriótipos, mas ela era o padrão. Cabelo curto, quase raspado, ombros largos, cinturinha, bunda... e que bunda, deusa que me perdoe, mas eu sinto falta daquela bunda. Andava de pernas abertas, parecia que puxava correntes com os braços, era jogadora de futebol. Ainda é. E ainda por cima, mais que tudo, me provocava como só uma ariana sabe fazer.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

01- A maior e mais confusa definição de amor já chorada

O amor que de tanto amar acabou

Acabou como se em algum momento tivesse existido, o amor.
O amor que acabou como se existisse amor.
O amor que jura amar com a eternidade que é o amor, mas em trocas de interesses, o amor que nunca existiu deixou de existir

Ao amor.

Eu dedico esse poema aos poetas que do amor fizeram amar
Do vazio da não existência do amor, fizeram o amar
Da solidão do oco que é saber que não se sabe amar, que não há o amor nos lábios pecaminosos do mentiroso que jura amar.

Ao amor

Que nem se desmentiu como lenda folclórica criada lá não sei quando, jurando, prometendo
"O meu amor, eterno, guardará o seu amor em qualquer situação"
O amor, falso amor, que no primeiro momento de desespero, desama.

E por sorte, não existe.

Ao desamor.