domingo, 5 de outubro de 2014

Ceifadora dos sonhos

Eu sinto falta de mim.
Sinto falta de você e parece que você longe,
Eu não sei nada de mim.
Eu sou lava,
Queimo teus pés e te berro:
Vem!
Virou quadrupede e correu,
Quem mais poderia amar criatura tão mascada.
Estou ardendo no veneno dos insetos.
Eu nem ao menos me possuo.
Faca serrada na garganta errada...
Quem estou enganando?
Se falasse de mim, acabaria no lixo.
Possuidora de grandes erros,
Eu não sou mais nada.
Eu quero gritar,
Mas sussurro mentiras.
Não escovo os dentes depois de falar,
Elas deixam o sabor amargo, faço questão de não lavar.
Sua saudade é real.
Rapaz solúvel, não engula o chá.
O café está sem açúcar.
Sou alérgica aos toques falsos de sua voz,
Me desculpa pela irritação na coxa,
Mas a culpa é toda sua.
Nua. Crua. Tua. Lua.
Não sou estrela, ou mar.
Lua.
Ilustre a minha folha em branco.
Alva, crava a clava em mim e vá.
Passou, hoje te conto histórias sem fim.



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Obs.: Cura

Me cura.
Obscura.
Pega essa droga e tira dos meus braços.
Arranca de mim a loucura e a intensidade que é amar.
Me cura.
Salva a minha vida,
Me leva pra sair,
Finge comigo que estamos felizes.
Eu sei que sou errada, você também sabe,
Mas está certo assim.
Leva jujubas, essa noite vou precisar.
Lembra o que você me jurou?
Disse que ia me curar

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Carta anônima

Eu te amo.
Seu perfume rosa bebê me embriagou.
Eu sorria e você enxergava paz em mim.
Sempre fui um turbilhão de erros,
Os problemas estavam sempre ao meu lado,
Só para você eu fiz tudo certo.
Era minha prioridade, o seu sorriso.
Me emaranhei nos seus cabelos
E ganhei do universo a sua paixão.
Eu te amo.
Hoje estou partida.
Te odiei, culpei e decidi te esquecer.
Eu te amo, não só eu.
Sonho com teus abraços
E revivo umas histórias tão engraçadas.
As vezes eu acho que não vou mais sorrir de verdade,
Ou amar.
Minha mãe me acha boba e diz que sou nova demais para saber.
Gente nova acha tudo dramaticamente fim do mundo.
Mas continuo com aquela velha música na cabeça:
"Não estou bem certo
 Que ainda vou sorrir
 Sem um travo de amargura..."
Eu sorrio e um lembrete automático vem:
Mesmo assim não é a mesma coisa.
Estou presa e me enganando.
Eu te odeio.
Eu te odeio tanto e lutei tanto para te odiar.
Repenso nos momentos ruins,
Nas facas atadas,
No sangue na mão, no assassinato brutal.
Penso o que é te amar
E sorrio.
Eu não quero, mas eu gosto.
E revivo os momentos bons, te vejo se esforçar,
Revivo os ruins e ainda assim, só por ter você, é calmaria.
É por do sol,
Buquê de flores,
Música na cama,
Carinho no meio da noite,
Sorriso no beijo,
Piada interna,
Segredo compartilhado,
Abraço apertado,
Beijo roubado,
Teatro montado,
Lágrimas compartilhadas,
Amor recíproco.
Te amar é como olhar direto para o sol:
É bonito, doloroso, inevitável.
Te amar é como ouvir a chuva no telhado,
É como sentir saudade de casa,
Te amar é como fazer uma poesia sincera,
É como aproveitar o natal.
Eu te amo.
Como nunca deixei de amar.
Como sempre jurei evitar.
Eu te amo

terça-feira, 1 de julho de 2014

Se eu tivesse que escolher,
Dos 10 mil momentos da minha vida,
Esse, com sua presença imaginária,
Seu sorriso tímido
E todo o seu amor por mim,
Era o que eu escolheria para reviver.

Talvez se viesse acompanhado do beijo prometido,
Do abraço e da cura da minha saudade,
Eu chorasse, morria de vergonha e te roubaria para mim.
Só pelo doce prazer de não te deixar nunca,
Só para não deixar de te tocar,
Só para te guardar dentro de mim.
Fingindo ser eu mesma,
Mas sendo um grito desesperado de saudade.
Eu morreria em mim, se tivesse que esquecer.

Por uma noite inteira foi meu, nunca deixou de ser.
Eu não vou me esquecer, eu o amo como amo sol no céu.
Eu o amo todo em mim.
Eu o amo mesmo que finja não amar.

Com todo o meu amor,
Como nunca senti,
A sua menina.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Depois de ontem.

Ah, minha amiga,
Estou com medo dos seus olhos.
Seus olhos estão querendo me consertar,
Igual naquele dia em que falei coisas ruins e você se foi.

Eu sei que sou ruim e que sempre sou eu que erro.
Você é a cabeça de toda a minha história,
Eu de cá, te olhando assim, até acho que esteja estranha.
Mas eu tenho medo de ouvir sua razão.
Eu não vou mais te perder.

E eu que sempre me orgulhei de entender seu jeito cavalo,
Estou assustada com onde você quer me levar.
Olha para gente, volta aqui e me deixa arrumar o meu erro.
Você também precisa me ajudar agora.
Se não eu vou chorar e não posso chorar por você.

Eu estou com saudade, quanto tempo eu não te vejo?
Eu quero você de volta, dentro da minha cabeça,
Rindo das piadas que eu não disse.
Hoje eu não vou mais te deixar ir.
Porque hoje eu sei o que é não ter você.
Hoje eu não vou mais te deixar ir.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Juventude

Trouxe os meus maiores medos para a realidade.
Onde eu posso sentir escorrer pelos olhos,
O brilho de uma dúvida cruel.
Ser ou percorrer?
Eu vi suas feições penosas num aviso terrível.
É isso.
Hoje é o grande dia.
O começo do fim ou o fim do começo,
Já não sei. Já não quero saber.
Onde fica o começo da vida?
Talvez eu quisesse fazer diferente,
Vivendo igual. Tem como?
Talvez. Talvez nem exista.
E como.
Me perdi no pecado.
Pertenço a um berço de consequências vazias.
Pobre rapaz, jovem demais para compreender a vida.
Jovem demais, pensando que nunca vai mudar,
Para sempre ele, com sua personalidade.
Achando que tudo é para sempre.
Nem sempre.