terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Sim e não. Nunca talvez

Suas críticas vindas do peito, eram severamente ignoradas.
Nada de positivo lhe prendia ao chão.
Raízes que eram sua fonte de nutrientes também o segurava no pesadelo.
Carcere privado na própria vida.
Fria.
Mundo vazio.

Cantigas de maldizer escoavam pelas paredes,
Ecoavam pelo quarto e a morte soava aos ouvidos.
"Pula, pula, pula"
Ouvia uma voz na própria consciência repetir:
"Pula, pula, pula"
Enquanto tomava seu café adoçado de amargura.

O prédio lotado,
Recheado de pessoas vazias,
E crianças precoces beijavam-se.
Esconde-esconde em baixo das saias.

Incômodo ao perceber pequenas normalidades extraordinárias.
Questões de vida ou morte em um simples "você está bem?"

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Mantenha-se feliz

- E o que você sente por mim?

- As vezes cada palavra minha pode parecer uma mentira descarada, 
Que escrevi cuidadosamente para roubar seu coraçãozinho desavisado.
Sei que depois dos 12 a gente para de acreditar em amor a primeira vista
E que aos poucos a gente se cansa dessa história repetitiva. 

Mas eu me lembro do que você estava vestindo a 4 anos atrás,
Quando eu te vi e fiquei lá, parado.
Não vou dizer nada sobre o mundo mudar todo o sentido,
Mas não estou nem exagerando sobre eu querer estar ao seu lado. 

Imagina, como eu poderia ir falar com você?
Não tenho coragem hoje, depois de tudo. 
Fiquei de longe, fingindo que você era mais uma naquela multidão. 

E hoje, ainda. Quando você fala alguma coisa de surpresa,
Parece que o meu coração bate rápido e devagar, de um jeito frio,
Mas consigo sentir meu rosto queimar e seu que estou corando.
Estou aqui falando, falando e falando, mas não disse o que sinto. 

Porque sinceramente eu não sei o que é isso...
Eu não vou dizer que o que eu sinto é igual em um conto de fadas, 
Não vou falar que é igual na vida real,
Onde o ciúme é rei.

O que eu sinto por você está longe de tudo do que eu já li.
Se Camões não me contou o que é isso,
Se minhas amigas do MPB não sabem como me aconselhar...
Me diz, por favor, me diz o que eu sinto por você.

Se minha garganta não estranha quando não te vejo, 
Se não sinto um fogo que arde sem se ver. 
Se não é nada disso, nem nada do que eu já tenha dito antes.

Acho que o que eu sinto por você só se aproxima do que eu acho sobre você.
E aí eu posso entrar em um ciclo eterno, 
Porque isso só se assemelha ao que eu sinto quando estou perto de você.

- E o que você quer que eu faça?

- Quero que você faça algo que te deixe feliz. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

De todos os silêncios acumulados em um pequeno universo perto de nossa galáxia particular:
Você sorriu.
E desde então toda a minha capacidade de compreender o mundo, as pessoas, os sorrisos.
Mudou.
Nem sei ao menos se isso é uma poesia, uma prosa, uma dissertação, ou uma piada.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Coma


Deitei na cama e coloquei um travesseiro na vertical, ao meu lado. Boba, fantasiei seu corpo. Chorei sozinha no quarto desejando o abraço de um objeto.
Encostei aos poucos meu rosto no que pensei ser sua costela e caindo no sono, sua mão foi encostando em minha cabeça. Quanto mais sonolenta mais você me tocava, me acariciava.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Aprendendo a aplicar "nunca"

Dos pontos mais longes,
A retaseria o seu melhor caminho.
As estradas pontilhadas
Eram minha escolha.

Encontros e reencontros.
Algulmas coisas congelam os ares,
Outras voam o tempo.
E as duas podem ser a mesma metáfora.

Entre pássaros fazendo verão
E beija-flores parados no céu,
Um universo conspira injustiças,
Milagres desesperados
Por um coração pecador.
E eu repito o cantor:
"Criancinha levando prego no olho".

De todos os viéses,
No centro da rodovia,
Com os braços abertos,
Dançava ao meio dos faróis.
A música gritava amor aos ouvidos,
E sangue escorria ao chão...
Da terra santa.

Pernas grossas de uma dançarina doente,
Beleza exagerada aos olhos nus.
Alegria onde havia dor
E adivinha?
Vejo o contrário flutuando pela luz da janela.

Lama verde trazendo saúde
E aquele antidepressivo,
Suicidando-as.

Veja a beleza da tristeza
E todo o resto.
Não venho falar do mal do século,
Nem do lobo mau eu tenho a salvar.

Só me veja com este vestido
E vai saber que nada acabou
E nem acabará

domingo, 11 de agosto de 2013

Boate nasal

Eu queria escrever um livro, um texto qualquer, ou até uma poesia, mas o meu caderninho de sentimentos guardados ficou caído entre o diário do ano passado e meus bons modos. Bem no fundo da última gaveta e cheio de poeira. 
As pessoas escrevem de poeira de uma forma bonitinha demais pro que ela merece. Poeira é o vestígio de um câncer mal curado, na parte mais importante do corpo: O passado.
A poeira me lembra a tudo que não presta, me lembra a tudo que é ruim, me lembra sobre o que hoje eu acordei com vontade de escrever: Você. 
De todos os pós e grãos você e a poeira são os piores. Você, pior que a areia e melhor que a poeira. Com as suas camisas com cheiro de mofo (não classifiquei o mofo porque não sei se é pó, grão ou vivo) e o cabelo cheio de óleo. Seus dentes são grandes demais e minha cabeça dói com a sua voz, exceto quando você está sendo uma gracinha, nesse momento minha enxaqueca ataca, tipo quando como frango. Que é o segundo vivo que eu mais odeio. O primeiro é você. 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Vai, mente pra mim.

Anos de sofrimentos massantes.
Sei que pareciam suficientes,
Mas não foram.

Nos últimos meses me dizia curada,
Totalmente feliz,
Só que você não me permite, né?
Nunca me deixou,
Nem quando me abandonou.

Foi vergonhoso te ver de novo,
As pernas tremeram,
As mãos suaram
E todo resto.
Como se nunca tivesse parado de acontecer.

Acho que estava até com saudade,
Parece que sou mesmo do tipo que falam:
"Essa menina GOSTA de sofrer."
Mas você faz sofrimento de uma forma tão sexy.
Me engana de um jeito tão lindo,
Me decepciona com tanto charme.

Me ama de um jeito tão errado.